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sexta-feira, 22 de março de 2013


Samara e Milena...
Samara terminou seu banho, assim como eu o meu após o dela. Enquanto me secava, me vestia, penteava os cabelos, e passava todos os meus produtos de beleza, do desodorante ao perfume, eu fiquei imaginando o que iria acontecer dali para frente. Não em um futuro distante, mas sim ali, naquele momento, de quando eu saísse do banheiro. O que iria dizer a ela? O que iríamos fazer? Eu deveria fazer uma cama no chão, ou deixa-la dormir comigo na minha cama de casal como todas as minhas amigas mesmo sabendo que ela meche comigo? Eu não fazia ideia de como agir naquela estranha situação. Mas confesso que estava ansiosa para saber como minha noite terminaria...
Depois de todo o meu ritual de sempre, eu respirei fundo e sai do banheiro. Cheguei a suspirar ao vê-la deitada em minha cama, não sei se de alivio, ou por ficar chateada. Porque parte de mim queria exatamente aquilo, ela dormindo. Já outra queria passar a noite em claro conversando até pegarmos no sono.
Antes de me sentar a cama eu observei o rosto angelical que Samara tinha. Seus cabelos claros davam um ar totalmente inocente. Sua boca desenhada era tão perfeita que me dava vontade toca-la, contornar com meus dedos e depois prova-la com meus lábios… Rapidamente prendi o ar saindo de perto dela, não era possível meus pensamentos estarem indo naquele caminho, eu tinha que frear de qualquer maneira. Trata-la bem não é sinônimo de querer ser igual minha irmã.
Tentei me acalmar e sentei em minha cama tentando não acordá-la, mas acho que não tive muito sucesso.
Samara: Desculpa, eu cochilei. – Ela disse passando a mão no rosto e se sentando.
Millena: Tudo bem, pode voltar a dormir…
Samara: Eu vou dormir aqui com você? – Ela apontou para cama com uma cara de duvida.
Millena: É, mas se você não quiser, posso fazer uma cama, ou você pode dormir no quarto de hospedes, ou no da minha irmã…  
Samara: Não, não, aqui está ótimo para mim… – Ela deitou sorrindo e abraçando o edredom.
Millena: Só não me chuta de noite se não eu vou revidar… – Eu disse em tom de brincadeira.
Samara: Pior que revida mesmo. – Ela sorriu e eu sorri para ela de volta.
Millena: E se roncar te coloco para dormir com os cachorros.
Samara: Mas você não tem cachorro. – Ela pareceu confusa.
Millena: Mas o vizinho tem. – Eu ri ao me levantar da cama e ir em direção a porta.
Samara: Aonde você vai? – Ela se levantou um pouco apoiando o preso do corpo com o cotovelo.
Millena: Só apagar a luz. – Eu disse no mesmo instante em que apaguei as luzes, deixando o quarto totalmente escuro.
Samara: Ai, está muito escuro, abre pelo menos a porta. – Sua voz transmitia medo.
Millena: Está com medo? – Eu ri ao pular na cama.
Samara: É serio, não tenho medo, mas não gosto do escuro…
Millena: Não acredito que você, logo você tem medo de escuro.
Samara: Já disse que não tenho medo… Só não gosto, por favor, ascende alguma coisa.
Millena: Ta bem sua medrosa – Eu ascendi o abajur ao lado da minha cama. – Esta melhor agora? – Eu disse ao me ajeitar na cama virando para ela.
Samara: Bem melhor, ainda está escurinho e eu posso te ver. – Ela sorriu.
Millena: Ainda não acredito que você tem medo de escuro. – Eu ri mais uma vez.
Samara: Me deixa… – Ela fez uma carinha linda que eu me segurei para não abraça-la.
Sorrimos uma para outra e ficamos nos olhando. Esses momentos em que o assunto acaba e as pessoas ficam se encarando é tão constrangedor,  mas ao mesmo tempo tão bom… E eu nunca sei se dura um segundo ou um século.
Estávamos deitadas em minha cama, uma de frente para outra, a meia luz, dividindo o mesmo edredom, mas cada uma com um travesseiro. Eu queria falar, queria que ela falasse, ou sei lá…
Millena: E você já sabe o que vai fazer em relação ao seu pai? – Eu perguntei em tom baixo, tentando puxar um assunto.
Samara: Não quero falar disso agora, tudo bem? – Ela sorriu meio triste.
Millena: Desculpa…
Samara: Para de me pedir desculpas. – Ela disse brava.
Millena: Desculpa… – Eu ri meio debochada.
Samara: Idiota!
Millena: Pow… Desculpa… – Eu soltei uma única risada alta. – Ta parei… – Eu sorri feliz.
Samara: Sua cama é boa e ta me dando um soninho… – Ela fechou os olhos.
Millena: Tudo meu é bom. – Eu disse convencida e sentindo uma felicidade sem tamanha.
Samara: Me esqueci com quem estava falando… – Ela sorriu ainda de olhos fechados.
Eu não disse mais nada, apenas fiquei ali, olhando seu rosto a meia luz, decorando cada pedacinho dele. Ela permaneceu de olhos fechados por um tempo, mas os abriu de repente me fazendo fechar os meus, com vergonha de está olhando para ela. Tentei realmente fingir que estava dormindo, mas eu queria continuar olhando-a… Abri meus olhos bem lentamente e reparei que ela fechou os dela correndo, como eu havia feito a menos de um minuto…
E a brincadeira começou, ficamos nessa por um bom tempo. Mas a cada vez que eu abria os olhos, eu sentia nossos rostos mais perto um do outro. Não sei se era eu que estava me aproximando, se era ela, ou se éramos as duas… A cada segundo ficávamos mais perto, comecei a sentir nossas respirações ficando tensas, nervosas, e se misturavam como se fossem uma só. Meu estomago revirava, como se tivesse um leão lá dentro… Cada vez mais perto, cada vez eu abria menos os olhos, cada vez eu ficava mais ansiosa…
Meu nariz tocou o dela e juntas respiramos fundo. Eu sabia o que ia acontecer, e incrivelmente o medo não existia naquele momento, eu queria beija-la, mais que qualquer coisa.
Estava tudo acontecendo, nada premeditado, ou ensaiado, apenas acontecendo. Seus lábios tocaram os meus, mas não nos beijamos de imediato, apenas roçando nossas bocas uma na outra. Que sensação incrível era aquela que eu estava sentindo, uma paz, uma felicidade, uma vontade louca de agarrar logo aquela menina tão odiada. Queria logo sentir aquele beijo outra vez…
Eu abri meus olhos, e incrivelmente ela abriu também. Afastei um pouco meu rosto para olha-la melhor, encarei seus olhos e depois sua boca… Ela queria, eu queria, e ia acontecer, de qualquer maneira. Molhei meus lábios e lhe dei um sorriso de canto, quando ela sorriu de volta eu não aguentei. Selei sua boca com vontade, que logo entreabriu os lábios dando inicio ao beijo mais maravilhoso que eu já havia provado… E ali começou… Nos beijamos para valer, não de ser quente ou algo assim, mas sim de ficarmos um bom tempo ali, explorando uma a boca da outra. De inicio foi um beijo bom, gostoso, dando com carinho, aquela coisa de gente carinhosa e melosa…. Mas depois a coisa foi esquentando, eu já estava quase em cima dela, suas mãos estavam em minhas costas, as minhas em seu colo… Foi ali que demos uma pausa. Não dava para passar daquilo, era muita informação para uma noite só.
Estávamos uma ao lado da outra, ambas olhando para o teto, as respirações ainda alteradas. Eu pelo menos estava morrendo de vergonha, mas ao mesmo tempo morrendo de vontade de continuar. Eu peguei em sua mão e me virei para ela. Alguém ali tinha que fazer alguma coisa.
Assim que ela se virou para mim começamos a rir, a rir sem parar, como duas idiotas. Rimos tanto, mas tanto que minha barriga já não aguentava mais… Depois de boas gargalhadas paramos uma de frente para outra como antes, dessa vez as respirações alteradas por outro motivo. Mas a felicidade ainda parecia a mesma…
Samara: Eu realmente to com sono… – Ela disse num cochicho.
Millena: Então dorme…
Eu enfiei meu braço por debaixo do seu pescoço e a puxei para mim a abraçando. Seu rosto ficou em meu colo, e sua respiração em meu pescoço. Ela também me abraçou… E me abraçou de um jeito que eu me senti totalmente protegida… E entre carinhos aqui e ali, pegamos no sono, do jeito que estávamos… 

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